Arquivo Fotográfico SAAL-1974/1976
2022-09-29

vaia realizar-se no próximo dia 18 de Outubro, teça-feira, pelas 17,30, no Arquivo da Universidade de Coimbra a essão de apresentação pública e de formalização da doação ao Centro de Documentação 25 de Abril do arquivo fotográfico sobre o SAAL, de cerca de 3.250 fotografias, que pertenceram até agora ao Arquiteto Alexandre Alves Costa.

 

A sessão contará com as intervenções de Rui Bebiano, Director do CD25A, e de José António Bandeirinha  em representação do DARQ - Departamento de Arquitectura da UC. Segue-se uma apresentação comentada de imagens em que o arquitecto Alexandre Alves Costa - que integrou a Comissão Coordenadora do SAAL/Norte fará o historial do Processo SAAL e contexualizará a coleção agora doada à UC.

 

Nota biográfica do doador
Alexandre Alves Costa nasce em 1939, no Porto. Depois de estagiar no Laboratório de Engenharia Civil, com Nuno Portas, diplomou-se em Arquitectura, pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, em 1966. Foi colaborador de Álvaro Siza e prestou serviço na Câmara Municipal do Porto. Docente desde 1972 nas áreas de Projecto e da História da Arquitectura, foi Professor Catedrático na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) . Foi um dos fundadores do ensino da Arquitectura na Universidade de Coimbra e Professor Catedrático Convidado no Darq. Foi membro da Comissão Instaladora do Curso de Arquitectura da FAUP e Director do Curso de Arquitectura da Universidade do Minho. A seguir ao 25 de Abril, integrou a Comissão Coordenadora do SAAL/Norte. “Adviser” da delegação oficial de Portugal à Conferência das Nações Unidas sobre Estabelecimentos Humanos – HABITAT, Vancouver, Canadá em 1976. Tem bibliografia publicada em revistas da especialidade como Lótus International, 9H, Wonen Tabk, Casabella, Architecti, JÁ-Jornal Arquitectos, Estudos/Património. Membro do Conselho Editorial do Boletim da Universidade do Porto e da revista Monumentos da Direcção Geral dos Edíficios e Monumentos Nacionais, integrou o Conselho Editorial da JA-Jornal Arquitectos da Ordem dos Arquitectos, de 2000 a 2004. Exerce a profissão liberal, desde 1970, com obra construída, quase totalmente publicada.

 

Sobre o Processo SAAL

O SAAL foi um programa estatal para o realojamento de populações de baixos rendimentos, lançado logo após o 25 de Abril por Nuno Portas, então Secretário de Estado da Habitação.

Para a grande maioria da população o objetivo do 25 de Abril foi o de construir a felicidade “já”, como alicerce da sua perenidade futura Os moradores pobres, sendo protagonistas assumidos desse processo de construção, tiveram consciência plena de que, para fazerem a cidade, deveriam começar pelas casas e que estas deveriam ser para todos, numa nova Pátria de que lançavam as fundações.

Por isso o SAAL foi como começar pelo princípio de todas as coisas.

Antes do direito à cidade, esteve o direito ao lugar, ao lugar da infância e do crescimento, de sedimentação da comunidade vicinal. O direito ao lugar escolhido, recusando a fatalidade da expulsão para as periferias suburbanas da ausência de cidade.

Afrontamos todos, arquitetos e moradores, muitos inimigos, acusados e caluniados. Sofremos atentados terroristas!

Penso hoje, que o debate está de novo aberto com toda a acuidade, sobretudo a partir da situação vivida pelos novos moradores pobres das grandes cidades, sobretudo os cada vez mais pobres, de novo e por outras razões a serem expulsos da cidade e os emigrantes. Todos eles nos dão uma nova convicção de valer a pena continuarmos a luta por casas para todos contra o capital, como se dizia nesses inesquecíveis dias que vivemos, durante o processo revolucionário.

Qualquer acção deverá ter, como tinha obrigatoriamente o SAAL, a participação e o acordo dos moradores pobres e assim ser viável e duradouro. Evidentemente que, quanto mais formos capazes de aprofundar esta participação, maior sucesso garantiremos a cada operação. Para isso deverão os vizinhos associar-se democraticamente o que permitirá que os seus representantes possam intervir, em qualquer momento, constituindo, assim, como no SAAL, uma verdadeira  organização social da procura.

Sendo a cidade o território da liberdade, da diferença, da diversidade, não pode, ou não deveria poder, continuar a ser o território da exclusão. Existirão muitos caminhos que ajudarão a uma melhor participação de todos na vida pública comum e do seu reconhecimento na unidade simbólica que é a cidade. Todos serão importantes para o desenvolvimento da solidariedade e da tolerância, tais como o acesso ao conhecimento, a distribuição não especializada dos locais de trabalho, seja a escola ou o emprego, passos necessários para a conquista da cidadania, através do aprofundamento da democracia. 

 

Alexandre Alves Costa,  Setembro 2022